A guerra silenciosa das mídias: a próxima batalha

*Por Ramiro Gonçalez

Existe uma guerra silenciosa, discreta e muito restrita para definir as fronteiras dos novos territórios de mídia.

Com a Convergência das Mídias se tornando realidade, as teorias de convivência das plataformas de mídia são colocadas em cheque, não por sua viabilidade tecnológica, mas por estruturas de controle acionário.

Vencidas as barreiras tecnológicas e de comportamento do usuário, os domínios de novos territórios (leia-se plataformas) – passam a ser definições de modelos de negócios e controle acionário.

A FASE 1 da convergência já foi ultrapassada: as tecnologias existentes permitem multi-plataformas para as mídias. Todos os grandes veículos impressos no Brasil já desenvolveram seu aplicativo para IPAD. Isso foi (exaustivamente) debatido em voz alta nos mercados.

Com a FASE 2, a situação é bem diferente. Na fase 2 entra o debate sobre modelo de negócios: como ganhar dinheiro e como fazer isso em cada plataforma?


A resposta a estas questões tendem a passar também por aspectos como  controle acionário e participação de capital nacional nas novas plataformas. Afinal sabemos que não há – rigorosamente – nenhuma barreira para uma empresa telefônica, por exemplo, atuar em outras plataformas (i.e. TV PAGA). Sabemos, entretanto,  que o controle acionário dessas empresas é multinacional. E é essa a próxima batalha.


O debate silencioso agora é sobre propriedade cruzada”.
O que é isso? É o domínio, pelo mesmo acionista (ou acionistas), sobre diferentes plataformas (Web, TV aberta, TV paga, rádio, jornal, OOH).
O governo parece adotar um modelo de concessão única. Ou seja, um mesmo acionista detém direitos em várias plataformas. Do ponto de vista de distribuição de conteúdo faz todo o sentido. Do ponto de vista de controle acionário, expulsa concorrência externa.


Como essa medida expulsa a concorrência? Resposta Simples: O Ministério das Comunicações defende a extensão aos meios de comunicação digital (portais) do limite de 30% de capital estrangeiro que hoje vigora para jornal, rádio e TV.


Este é um assunto muito importante (e muito polêmico) que é pouco debatido na mídia (por motivos óbvios).
Acredito que a academia poderia propiciar um ambiente para um debate onde o contraditório pudesse ser observado para cada modelo adotado.
Todos ganhariam com o debate: usuários, clientes, fornecedores, profissionais da mídia e a sociedade.

***

*Ramiro Gonçalez é Mestre em Ciências da comunicação FIA USP Engenheiro Produção – POLI. Responsável Inteligência de Mercado – FIA USP. Fundador do Grupo de Engenheiros de Produção da Poli. Membro Conselho editorial ABA – ABEP. Autor do livro “Que Crise é Essa?”. Também edita o blog ‘Que Mídia É Essa?’.

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5 Comments

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  1. Afinal ter capital multinacional nas mídias brasileiras é bom ou ruim? Traz (ou não) maiores oportunidades para profissionais ligados a produção de conteúdo?
    Acho necessário, SIM, um debate a respeito. Pessoalmente gostaria de ver ideias antagônicas com seus fundamentos em um embate conceitual. Afinal se o SISTEMA FINANCEIRO (tem algo mais estratégico p. um país?)pode ter concorrência externa, qual razão as mídias não podem? por favor não me venham com a velha frase de dominação cultural…. isso fazia algum sentido ANTES da WEB.
    Bom post p. gerar apetite. gii

  2. Gisele, acredito que as respostas viriam num debate aberto sobre o assunto. Todos os países fazem algum controle sobre o controle acionário de suas mídias. Exceção a Cingapura e Hong Kong (antes da anexação à China em 99). De qualquer forma OS PRÓPRIOS ACIONISTAS são penalizados pela reserva de mercado, uma vez que não podem buscar capital externo (via acionistas) para melhorar sua operação e produção de conteúdo.
    Ocorre que a WEB TV vem derrubar isso tudo. Por isso o GOOGLE tem tido muito cuidado em fazer o lançamento em larga escala da IP TV. abs RAMIRO

  3. Saiu hoje na Folha uma matéria sobre isso. Andrea

  4. Lanna e Andrea, A FSP fez ótima matéria sobre a briga entre APPLE e os JORNAIS pelo território IPAD. Como discutido aqui, tudo é modelo de negócios. Quem fica com as receitas?
    Essa pergunta será cada vez mais ferequente. Vejam (assinantes) o artigo na Folha São Paulo:
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/872856-jornais-lutam-contra-monopolio-da-apple-no-ipad.shtml

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