Caso UNIBAN: Orgulho e Preconceito


Geyse-vestido
A estudante Geyse Arruda usando o polêmico vestido

 

Depois que li o último parágrafo da matéria que saiu no NYT a respeito de toda essa confusão, acho inevitável questionar que tipo de hipocrisia é essa. O Brasil é conhecido como o país ‘de las mujeres calientes’, das roupas sensuais, das cores saturadas, do top less livre de vergonha em qualquer praia.

Numa das áreas mais industrializadas de São Paulo alunos da Universidade Bandeirantes se revelaram fariseus do século 21. Em vez de pedras, vídeos de celulares e flashes de câmera. É tão mais gostoso crucificar uma ocasional Maria Madalena a sair para as ruas e pedir a cassação de quem, de fato, fere nossos direitos e deságua nosso dinheiro. Esses são os alunos ‘futuro da nação’, talvez alguns futuros políticos.

O sentimento e conceito de protesto neste país estão totalmente deturpados. Aqui, protesto de verdade é criar uma #tag no Twitter para motivar a saída de um político do governo; e xingar gratuitamente pessoas que se vestem de vestido vermelho e curto. Não vale a pena tentar achar culpados, apesar de ter a convicção de que a histórica falta de espírito combativo neste povo, desde 1500, salvo exceções, contribua para que manifestações populares e eficazes não sejam nosso forte – ainda mais nesta geração.

Hoje, a UNIBAN divulgou comunicado oficial dizendo que não houve perseguição à aluna. E, de acordo com o Blog ‘Bombou na Web’ (da Revista Época),  uma equipe de quatro funcionários da faculdade trabalha para rastrear os vídeos do YouTube desde quarta-feira (28).

Vida longa aos vestidos curtos vermelhos. Abaixo a ignorância.

 

Segue vídeo da participação da estudante em programa de TV, onde usou o vestido:

 

 Além do New York Times, o caso da aluna da UNIBAN, Geyse Arruda, repercutiu na imprensa internacional como no The Guardian e no site espanhol Univision.
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2 Comments

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  1. Lanna, lúcida e equilibrada sua análise. Ao ver os acontecimentos esperava mesmo uma reação sua.
    Acrescentaria que jornalista como você tem um papel fundamental como agente de mudanças.O ocorrido na UNIBAN é apenas uma ponta do ICEBERG.
    O ensino superior privado no Brasil (com várias e honrosas exceções que você conhece) está se tornando uma banca de feira.
    Quer um diploma? Cursos a partir de R$ 199,00 MÊS
    (Fonte: Site da UNIBAN -http://www.uniban.br/).

    Antes de ser uma exceção este comportamento PROMOCIONAL é quase regra entre as faculdades privadas. Sei de caso de professor que foi trocado por ser “feio”. Há também pressão para aprovação automática dos alunos (qualquer reprovação precisa ser meticulosamente explicada, o contrário nunca precisa).
    A ética é jogada no lixo: entre seguir os princípios que estão no próprio site,a UNIBAN preferiu ficar ao lado daqueles que trazem as receitas imediatas (600 x uma).
    Resumo da ópera: como os alunos não precisam se preocupar com estudo (apenas com a mensalidade) sobra tempo para atacar uma aluna. Se houvesse ESTUDO sendo cobrado o aluno diria “deixa isso pra lá, preciso estudar”. Como não precisa estudar só pagar sobra tempo para atacar uma aluna. Acompanho seu twitter e agora seu blog.

    • lannamorais 09/11/2009 — 18:42

      Verdade, Ramiro. Acho que a UNIBAN representa, inclusive, uma leva de ‘universidades’ que ocultam interesses e fatos escusos. Agora temos um bom gancho para rastrear esses aspectos. Obrigada por vir aqui e ser o 1° a comentar! Bjo!

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