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Valor do Linkedin dispara

*Por Ramiro Gonçalez

 

Os valores das plataformas sociais não param de surpreender o mundo.
No último dia 20 de maio, o valor de mercado do LinkedIn mais do que dobrava em relação ao valor do lançamento das ações.

Explico: quando uma empresa fechada (capital próprio de poucos acionistas) é lançada ao mercado (ações comercializadas em bolsa) isso é chamado Oferta Pública de Ações.
Como é feito? Imagine que você tem um imóvel que acredita valer R$ 100 mil e quando anuncia (num jornal) vários interessados o procuram e ofertas chegam a mais de R$ 200 mil.

Algo análogo aconteceu ao Linkedin. Às 12h43 do dia 20, as ações da companhia subiam 126%, cotadas acima de US$ 101,8, ante o preço da oferta pública inicial de US$ 45. Com isso, o valor de mercado da empresa superava os US$ 8 bilhões.

LinkedIn está sendo negociado a um preço cerca de 600 vezes maior que o lucro!

Mostra uma tendência. No final de 2010, um banco de investimentos americano também avaliou o FACEBOOK muito acima de sua capacidade de geração de resultados. Evidente que os investidores apostam na capacidade futura de geração de caixa dessas empresas.

O interessante é que o LinkedIn é a primeira grande rede social dos Estados Unidos a ir ao mercado e testar seu valor. Mostrou claramente que existe demanda por ações de empresas como Facebook, Groupon e Twitter.

Parece que apesar da revolução nas plataformas de mídia, o objetivo continua o mesmo: ganhar muito dinheiro.
Novamente surgem dúvidas sobre a sustentabilidade da evolução desses valores. A pergunta frequente e pertinente: isso é uma bolha?

***
*Prof. Ramiro Gonçalez – FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez -> http://que-midia-e-essa.blogspot.com/
ramirogon@uol.com.br
Autor: Mídias e Negócios e QUE CRISE É ESSA?
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Artigos do mesmo autor: 

Teoria da Conspiração, Redes Sociais e o futuro de estruturas offline

Por Ramiro Gonçalez*

Passou despercebida a notícia do londrino THE GUARDIAN (17/março/2011) – “Revealed: US spy operation that manipulates social media” - sobre o serviço de inteligência americano e as redes sociais FACEBOOK e TWITTER . Vale a leitura.

A matéria relata que o exército americano estuda secretamente formas de manipular as redes sociais.

As implicações desta informação são muitas. As redes sociais são territórios livres? É possível haver manipulação? Os usuários ingenuamente aceitariam esse controle indireto?

Pode parecer mais uma paranóia da teoria das conspirações. Tantas outras já foram levantadas no passado. A mais emblemática era o debate sobre efeito subliminar nas propagandas de televisão – isto foi debatido à exaustão nas décadas de 70 e 80 nas escolas de comunicação social. Agora o “efeito subliminar” é outro: como controlar a opinião pública via redes sociais.

É importante entender como é feito o processo. Apesar da produção de conteúdo ser descentralizada, a gestão operacional das redes sociais está nos EUA. Uma empresa de engenharia de software poderia realizar inserções nas redes sociais com propaganda pró-americana. Parece uma tentativa primária demais, mas não pode ser subavaliada.

Segundo o Guardian, o serviço a ser fornecido por esta empresa americana é descrito como um gerenciamento online de perfis (falsos, obviamente) com até 10 identidades. Não está claro como essas identidades falsas iriam conseguir seguidores que confiem nessa fonte.

Há outro risco, a figura do discurso coletivo. Uma empresa com conhecimento de usos das redes sociais poderia gerenciar discussões que levem a um consenso sobre opiniões e até sobre fatos políticos. Quem trabalha com o assunto na prática, sabe que essa manipulação não tem uma fórmula trivial. É muito difícil manipular as opiniões nas redes. Motivo pelo qual várias corporações líderes no mercado de consumo têm feito incursões tímidas nesses novos territórios.

Manipulação de opiniões nas redes sociais

Obviamente não é tão simples como parece. Quem freqüenta a rede verifica que há pouco consenso e muita anarquia. Seria ingenuidade acreditar que é possível criar consenso, sem a presença do contraditório em processos em rede.

Quem mantém um Blog, por exemplo, percebe que os próprios comentaristas se digladiam ao redor de temas simples (onde aparentemente havia consenso).

Por outro lado também não se pode ignorar um fato: o sistema de redes sociais tem sua base operacional nos EUA. Em caso de um evento extremo, qual a garantia que a manipulação mais simples não será realizada: a retirada do ar das redes sociais.

A simples retirada do poder de acesso aos milhões de usuários já é um tipo de manipulação. Mais um motivo para haver um equilíbrio entre as mídias on e offline.

Essas incertezas em relação à manipulação das redes sociais mostram o quanto é importante manter as estruturas offline profissionalizadas.

***

*Ramiro Gonçalez é Professor de Inteligência de Mercado e Mídias da FIA e Mestre em Ciências da Comunicação pela USP. Autor do livro: “Que Crise é Essa?” . Também edita o blog ‘Que Mídia É Essa?’.

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Artigos do mesmo autor:

99% das notícias dos blogs são da velha mídia

Enquanto o impasse da convergência das mídias on e off line não se define, outra questão surge: Até onde confiar no que é propagado pela web 2.0 (Blogs, redes sociais)?

Uma nova geração de leitores surge com outra urgência e, pricipalmente, outro conceito do que é ser bem informado. A curiosidade é saber quais os tipos de notícias mais compartilhadas nas redes sociais; quais delas fomenta o debate e o interesse dos consumidores da mídia on line.

Para tentar responder a essas questões, um centro de estudos midiáticos, o Pew Research, reuniu dados de sete meses sobre as principais notícias discutidas em blogs e mídias sociais (nos EUA), inclusive no Twitter. O instituto também fez uma análise dos vídeos noticiosos mais acessados no YouTube.

Algumas constatações:

- Nas 29 semanas em que as plataformas – blogs, Twitter e YouTube – foram analisadas,  apenas um assunto dominou as três redes. Foi na semana de 15-19 junho de 2009, quando aconteceram os protestos na época das eleições iranianas.

- Cada plataforma analisada parece ter sua própria personalidade e função. Por exemplo, os blogueiros ano passado gravitavam em torno de histórias mais passionais defendendo direitos ou grupos por convicção ideológica.

- E a surpresa: Apesar dos especialistas e entusiastas das redes sociais afirmarem que a mídia off line é obsoleta, os blogs ainda confiam pesadamente na imprensa tradicional.  Mais de 99% das matérias veiculadas em blogs eram provenientes da velha imprensa: BBC, CNN, o New York Times eo Washington Post responderam por 80% de todos os links postados em blogs.

É uma tendência que vai diminuir?


*Leia o relatório completo no journalism.org.

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