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Repensando a mídia: a interação deve ter valor econômico?

*Por Ramiro Gonçalez

 Faz dezoito meses que pesquiso e visito blogs e site de notícias. Um veículo importante pediu um estudo sobre novas formas de monetizar o conteúdo jornalístico.

Para entender como seria possível encontrar novas formas de remunerar o conteúdo, realizei pesquisa com 120 blogs de jornais e revistas. Procurei me concentrar naqueles 87% de blogs e colunas que permitiam comentários. Sendo que apenas 7% interagiam com os participantes. Isto já é uma conclusão: as mídias continuam gerenciadas de modo unidirecional.

Não entenderam como será o processo no futuro: interação será fundamental.

A premissa do estudo é que há valor econômico no comentário, pois:

 * é preciso moderar – portanto gasta-se tempo do jornalista;

 * o blog é juridicamente responsável pelos comentários e

 * o comentarista tem publicidade de suas ideias.

Alguns achados da pesquisa:

1) 62% dos leitores, imediatamente após a leitura de uma matéria de seu interesse buscam os comentários. Há indícios que em alguns casos os comentários são mais relevantes (para os leitores) que a própria notícia (estou investigando essa hipótese);

2) 8% dos leitores que leem notícias sobre cotidiano, política e esportes fazem questão de comentar a notícia.

Uma das conclusões é que poder interagir é o novo valor econômico no jornalismo.

Por outro lado também há valor econômico nos comentários e, portanto, deveriam remunerar os comentaristas, pois:

(estas hipóteses são méritos do Roberto TAKATA, num debate no NEF)

>> Complementam ou corrigem a informação;

>> Representam audiência ao blog e dão informação demográfica;

>> Estabelecem vínculos duradouros e uma comunidade de comentaristas.

Agora ficamos sabendo por NELSON DE SÁ (FSP) que o Wall Street Journal está lançando  o WSJ Social, que filtra o conteúdo do jornal para criar um produto “dentro das paredes do Facebook”. Os usuários escolhem os assuntos que querem seguir “e isso determina o que vão ver”. Segundo Maya Baratz, chefe de novos produtos do jornal, “no WSJ Social todo usuário é um editor”.

É muito difícil para as cabeças hierárquicas nas mídias entenderem que a assimetria de poder na edição de notícias está se reduzindo. Isso não significa mais ou menos qualidade do conteúdo, significa que é uma tendência. Ponto.

O Wall Street Journal criou uma sinergia com objetivos estratégicos do Facebook, de oferecer conteúdo noticioso para manter as pessoas no site. Em suma, ser a porta de entrada, uso e de saída internet.

Os editores de conteúdo precisam entender que parte da remuneração jornalística, virá da interação editor-leitor e leitor-leitor. E os donos dos veículos perceberão que parte da audiência está disposta a pagar por isso.

Uma conferência para desenvolvedores de conteúdos interativos – que possui organizações como CNN, Washington Post e Huffington Post - está debatendo justamente o assunto.

NELSON DE SÁ vai direto ao ponto ao pinçar um comentário de Jeff Bercovici, da Forbes:

O Facebook é amigo das empresas jornalísticas ou seu rival? A matemática é cruel: quanto mais tempo os consumidores passam no Facebook, menos tempo têm para os sites de notícias. Agora o “WSJ” tem o que acredita ser uma resposta ao problema.

O  Twitter  também percebeu o fenômeno: 50 milhões de usuários acessam TODO DIA a rede de microblog para compartilhar seus pensamentos e descobrir o que está acontecendo no mundo.

Essa mudança drástica no comportamento no uso da mídia é uma das saídas para viabilizar conteúdo de qualidade.

Poucos veículos já perceberam esse caminho.

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Prof Ramiro Gonçalez – FIA

Inteligência de mercado e mídia

@ramirogoncalez -> http://que-midia-e-essa.blogspot.com/

ramirogon@uol.com.br

Autor: Mídias e Negócios e QUE CRISE É ESSA?

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Artigos do mesmo autor:

Valor do Linkedin dispara

*Por Ramiro Gonçalez

 

Os valores das plataformas sociais não param de surpreender o mundo.
No último dia 20 de maio, o valor de mercado do LinkedIn mais do que dobrava em relação ao valor do lançamento das ações.

Explico: quando uma empresa fechada (capital próprio de poucos acionistas) é lançada ao mercado (ações comercializadas em bolsa) isso é chamado Oferta Pública de Ações.
Como é feito? Imagine que você tem um imóvel que acredita valer R$ 100 mil e quando anuncia (num jornal) vários interessados o procuram e ofertas chegam a mais de R$ 200 mil.

Algo análogo aconteceu ao Linkedin. Às 12h43 do dia 20, as ações da companhia subiam 126%, cotadas acima de US$ 101,8, ante o preço da oferta pública inicial de US$ 45. Com isso, o valor de mercado da empresa superava os US$ 8 bilhões.

LinkedIn está sendo negociado a um preço cerca de 600 vezes maior que o lucro!

Mostra uma tendência. No final de 2010, um banco de investimentos americano também avaliou o FACEBOOK muito acima de sua capacidade de geração de resultados. Evidente que os investidores apostam na capacidade futura de geração de caixa dessas empresas.

O interessante é que o LinkedIn é a primeira grande rede social dos Estados Unidos a ir ao mercado e testar seu valor. Mostrou claramente que existe demanda por ações de empresas como Facebook, Groupon e Twitter.

Parece que apesar da revolução nas plataformas de mídia, o objetivo continua o mesmo: ganhar muito dinheiro.
Novamente surgem dúvidas sobre a sustentabilidade da evolução desses valores. A pergunta frequente e pertinente: isso é uma bolha?

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*Prof. Ramiro Gonçalez – FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez -> http://que-midia-e-essa.blogspot.com/
ramirogon@uol.com.br
Autor: Mídias e Negócios e QUE CRISE É ESSA?
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Artigos do mesmo autor: 

Mídias interruptivas x Mídias que engajam

*Por Ramiro Gonçalez

Anunciantes mostram a direção para as Mídias

Em evento realizado em 14/02/2011 em Barcelona ( Mobile World Congress), com a presença dos presidentes do Google, Apple, Microsoft e vários anunciantes, a frase mais marcante veio do Diretor Global de Midia da Unilever: “Estamos mudando a nossa comunicação de meios interruptivos, para meios que geram engajamento”.

A frase sintetiza de forma interessante as dúvidas que assombram veículos e anunciantes. Qual o futuro das mídias tradicionais? Como me posicionar em meio a tantas plataformas?

Saída simples não existe. Mas é atitude inteligente observar o que os Anunciantes pensam a respeito.  A UNILEVER é o segundo maior anunciante mundial tendo papel relevante nos mercados americanos e europeus (é o terceiro anunciante no Brasil segundo ranking da revista M&m).

Quem conhece o mercado publicitário sabe que o diretor de Mídia da Unlilever é avaliado por métricas objetivas, portanto suas opiniões refletem tendências de anunciantes. Ao dizer aquela frase ele está sinalizando que o modelo tradicional (com os “intervalos comerciais”) está perdendo força.

Evidente que não é necessário ser o diretor global de mídia da Unilever para perceber isso.  Os efeitos de dispersão de audiência já foram medidos (no Brasil e lá fora) nos comportamentos Zaping (mudança de canal), Surfing (assistir vários canais simultaneamente) e Afastamento (TV ligada para afastar a sensação de solidão).

Soma-se isso a concorrência com a WEB e suas infinitas distrações: FACEBOOK, TWITTER, BLOGS, GOOGLE.

Essa dispersão de audiência (que não é medida pelo IBOPE – Monitor) tem provocado um movimento dos Anunciantes por novos formatos.

Reality Show e Jornalismo Colaborativo

No Brasil já estamos experimentando a explosão (ou esgotamento ?) dos reality shows. O reality Show foi um alívio para os veículos que puderam convencer os anunciantes a investir nas plataformas tradicionais. Motivo? A  possibilidade de se colocar a marca dentro do conteúdo da programação, sem as inúmeras interrupções que possibilitam a fuga da audiência para plataformas concorrentes.

Houve uma corrida dos anunciantes para se posicionar em todos os formatos possíveis de Reality Shows: BBB, FAZENDA, APRENDIZ entre outros. Apesar da evidente saturação que isso causou, mostrou para os veículos que o formato era um filão que não podia ser desprezado (O BBB é o segundo produto mais lucrativo para GLOBO, perdendo apenas para o futebol).

Anunciantes com juízo perceberam que apesar da imensa popularidade (e possibilidade de mesclar conteúdo e marca) do formato reality show, existiam vários riscos no formato. Conteúdo compatível a junk food (artificial, descartável) poderia contaminar a marca. Afinal Familiaridade não é Favorabilidade.

Há, entretanto, um papel positivo no Reality Show: mostrar que existem possibilidades de outros formatos nas plataformas tradicionais. Ele abriu espaço para experimentação.

Acredito que há oportunidade para formatos onde o conteúdo seja gerado de forma colaborativa. Existem raros exemplos no mundo de mídias tradicionais abertas a conteúdo colaborativo. Alguns conteúdos no youtube mostram que ideias que combinem plataforma tradicional com mídias interativas são possíveis.

O assunto é polêmico, principalmente entre os puristas das regras jornalísticas. Mas não é possível escapar do debate, principalmente com a pressão imposta pelos modelos de negócios (leia-se Anunciantes)

Em Curitiba acabado de ver um telejornal da RPC, onde 70% das imagens, alagamentos causados pelas chuvas, foram produzidos pela própria audiência. Sei que esse conteúdo, gerado pela  comunidade, tende a ser visto com sérias restrições pelos jornalistas tradicionais. Mas é miopia ignorar essa tendência.

Os exemplos históricos e recentes (Egito) mostram que aqueles que tentam  “segurar onda nos braços, acabam levando um caldo”.

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*Ramiro Gonçalez é Mestre em Ciências da comunicação FIA USP Engenheiro Produção – POLI. Responsável Inteligência de Mercado – FIA USP. Fundador do Grupo de Engenheiros de Produção da Poli. Membro Conselho editorial ABA – ABEP. Autor do livro “Que Crise é Essa?”. Também edita o blog ‘Que Mídia É Essa?’.

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Artigos do mesmo autor:

And we’re just getting started…

A evolução do e-mail: um infográfico

Aprenda a fazer vídeo streaming

No vídeo ‘Vídeo Streaming 1, 2, 3′ o premiado bolsista do Poynter conta como jornalistas podem enviar vídeos e fazer apresentações por meio da internet para os veículos de comunicação.

Para tanto precisa de:

- Um computador

- Uma câmera

- Um microfone

- Internet

Simples, não é? :) Assista ao vídeo a seguir. Para ver outros vídeos clique aqui.

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Continue lendo:

A internet em 2020

Alguns pontos que o infográfico expõe:

  1. Usuários da Internet serão 5.000 milhões
  2. Maior implantação global
  3. Rede de Dispositivos móveis, não computadores.
  4. O tráfego mensal será 44 exabytes
  5. Internet sem fio
  6. A maioria dos serviços será na nuvem (cloud computing)
  7. Internet será mais “verde”, irá consumir menos energia.
  8. Gestão de Redes Automatizadas
  9. Comunicação Permanente e interplanetária
  10. Haverá mais hackers porque tudo será controlado a partir da Internet.

Fonte: Bruno de Souza

Jornal, TV, Internet: Quem vencerá a corrida da cobertura eleitoral?

Marina Silva (PV), José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no Debate Folha/UOL

Faço o  questionamento depois de ler artigo que Alberto Dines publicou no Observatório da Imprensa ontem, 20/08. Ele minimiza o sucesso do Debate Folha/UOL, acontecido dia 18/08 entre os candidatos com maior intenção de voto segundo as pesquisas, propagado pela Folha: copiou o formato da TV e teve todos os problemas que a internet propicia.

Para Dines, o meio que até agora foi melhor sucedido foi a TV, pelas entrevistas que o Jornal Nacional fez com os presidenciáveis.

Ele só esqueceu de levar em conta que o debate da internet foi o único que deu voz, ainda que limitada, aos eleitores, que gravaram perguntas de casa pela webcam, e puderam fazer (algumas) indagações fora do roteiro dos candidatos.

Ainda assim acho pertinente a comparação, já que é a primeira eleição para presidente que Jornais, TV e Internet estão na corrida, não só para fazer a melhor cobertura, mas também para medir forças em tempos de incertezas sobre o novo ciclo do jornalismo.

Segue o texto de Dines na íntegra:

COBERTURA ELEITORAL
Jornais comem poeira

Por Alberto Dines em 20/8/2010


Além da disputa entre os presidenciáveis, há um outro confronto em curso. Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva candidatam-se a sucessores do presidente Lula. Ao mesmo tempo será decidido o futuro da mídia brasileira. A hegemonia ficará com os jornais, com a TV ou a internet?
A entrada da TV foi de grande efeito: o espetáculo político ganhou uma nova dimensão a partir das entrevistas na bancada do Jornal Nacional da Rede Globo. A internet ainda não encontrou uma maneira de mostrar o seu poderio. Mesmo o debate Folha-UOL de quarta-feira (18/8) – primeiro no gênero no Brasil – não conseguiu eletrizar porque na realidade foi uma reinvenção da TV, sem os seus atributos e com todas as precariedades da web brasileira.
O fato de ter sido acessado em 127 países (como a Folha gabou-se na edição de quinta, 19) não chega a impressionar porque não se conhecem a duração e a quantidade de acessos. A edição do Observatório da Imprensa na TV Brasil também é acompanhada ao vivo por internautas do exterior, o mesmo acontece com ouvintes de países vizinhos que captam nossos comentários radiofônicos retransmitidos por emissoras brasileiras nas regiões fronteiriças.

Ilusões tecnológicas

Quem ainda não deu o ar de sua graça foi o meio jornal. Sem a vantagem da instantaneidade e, em compensação, com a capacidade de pautar o debate já que não está sujeito às limitações legais impostas às concessionárias de rádio e TV, o jornal vê-se obrigado a correr atrás do horário eleitoral e dos embates eletrônicos.
A aposta num grande elenco de opinionistas e celebridades em detrimento da reportagem investigativa escancara aqui os equívocos das empresas de jornalismo impresso – que nos últimos anos trocaram seus atributos históricos por miragens tecnológicas com prazos de validade limitados.

Jornalistas blogueiros x Leitores: relacionamento em debate

Meu colega Ramiro Gonçalez pegou dois blogs que tratam do mesmo tema, futebol, e analisou a interatividade dos donos com seus leitores. Ao fim faz questionamentos interessantes sobre a proximidade ‘ilusória’ que blogs e/ou redes sociais criam entre as pessoas, mais precisamente jornalista x público. Gostaríamos de saber sua opinião.

Segue o texto dele.

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Por Ramiro Gonçalez*


A partir de uma experiência pessoal pude avaliar  como são as novas (?) regras sociais na WEB e como elas podem gerar um modelo de negócios

Estávamos no período pré-copa e uma jornalista da FSP que eu seguia fez um post  despretensioso  no twitter, no qual dizia  ter intenção de torcer pela Argentina na Copa.

Pensando estar numa mesa de bar, eu respondi como se estivesse interagindo com um velho amigo que insinua torcer para um time rival.

De forma impensada twittei (respondendo diretamente à jornalista):

- Procure urgente um Pronto Socorro.

Impulsivo e sem nenhuma reflexão esqueci algumas condições do contexto dessa mensagem:

1) Todos meus seguidores iriam ver a mensagem (como diz a 2a DO TWITTER : Twitter não é email)

2) Não estávamos num bar;

3) Não tenho intimidade para fazer um comentário como este.

A resposta da jornalista ensinou mais que 1000 treinamentos de etiqueta. Ela postou:

- acabo de receber uma msg preconceituosa. Cliquei unfollow. Simples assim.

Tirei algumas lições do episódio:

1) Entender que existe o risco, ao criar um blog, de  que parte dos usuários fantasiarem uma proximidade que não existe;

2) Que na comunicação em rede a punição por quebra de regras sociais básicas  é a perda de reciprocidade.

Desde então tento estudar se o evento era uma caso isolado ou se outros blogs e usuários enfrentam os mesmos problemas.

Análise

Comecei a analisar os blogs. Defini 2 tipos de Blogs:

a) Blogs  Coluna: O emissor (jornalista ou não) publica posts e NÃO interage. Pode até permitir comentários, mas não os responde. Exemplos: Blog do Juca Kfouri ou do Sardenberg (não analisei se o fato de não responder era a impossibilidade física em responder centenas de comentários);

b) Blog interativo: O emissor têm a preocupação em responder aos comentários individualmente e até gerar posts baseados em comentários dos usuários. Exemplos: Blog Novo em Folha, Blog do Birner e Blog do LULI.

Como o BLOG NOVO EM FOLHA é atípico (tem uma função e público específico e restrito), fiz um estudo comparativo entre os BLOGS Juca Kfouri e Birner. Motivo: ambos falam de futebol para um público amplo.

Definição da Pesquisa

O mais difícil foi tentar definir o que seria intimidade/proximidade. Busquei conteúdos que denotassem elos entre o emissor – usuário

(ex: “Olá Juca , estamos JUNTOS na luta contra Ricardo Teixeira…” n.a.: O Juca nunca pediu que se unissem a ele em qualquer comentário.)

Outro tipo  de comentário que revelasse intimidade era localizar o emissor e usuário num mesmo espaço ou numa mesma situação

(ex: “Olá Birner, estive também no estádio do Pacaembu próximo as cabines de transmissão da CBN … NA: O birner não trabalha mais na CBN desde  abril)

Evidente que existe  subjetividade em analisar se uma mensagem tem um grau intimista. Entretanto o viés  subjetivo é o mesmo para os dois blogs.

Realizei uma pesquisa durante a COPA DO MUNDO  2010, analisando quantitativamente a natureza dos comentários postados nos 2 blogs.

Resultados  da Pesquisa:

Em%                                                    BlogJUCA         BlogBirner

Comentários intimistas:                          43                     67

Comentários feedbacks*:                        12                     54

(*comentários que são feitos após retorno do blogueiro ou de outros usuários. NOTA JUCA Raramente retorna comentários, mas existem vários interações entre comentaristas/usuários.)

Comentários fidelidade**                        14                      38

(**feitos rotineiramente – a pelo menos 2 dias e/ou 2 posts- pelos mesmos usuários)

Nota: % em relação ao total de comentários – dados coletadados ente 11 de junho e 12 de julho de 2010.

Os resultados mostram que a interatividade blogueiro-usuário e/ou usuário-usuário GERA MAIOR ENGAJAMENTO dos usuários. Mesmo que haja uma atitude negativa nos comentários a interatividade parece gerar Intimidade e Fidelidade ( Um subproduto interessante, mas que ainda não comprovei os comentaris negativo tende a ser mais fiel -> em outras palavras usuário chato retorna…)

Quais implicações disso?

1ª) Modelo de negócios: Blogs com níveis elevados de participação e que se propõe a gerar interatividade  PODEM cobrar por acesso (por isso minha pergunta a Cris no BLOG). É  possível (e desejável) que haja um controle de acesso a comentários. Exemplo: para comentar deve ser assinante UOL  e ser cadastrado (ou jornalista, trainee e outros). Isso gera desejo no consumidor em ser assinante do serviço e pode ser uma fonte de receitas;

Vantagens:  Gerar comentários pertinentes e/ou relevantes (uma vez que há um custo econômico ao fazê-lo)

Desvantagens: Em blogs com poucas visitas gerar afastamento.

2ª) Modelo de Jornalismo:Essa intimidade com o jornalista pode causar um percepção de influência na pauta  do jornalista. É nesse ponto que não consegui formular as hipóteses se isso é bom ou ruim para o jornalismo.

Afinal um jornalista interagir é uma ação positiva e isenta? O jornalista não deveria interagir? Quais limites ou regras existem nessa interação? Ao interagir pode gerar percepção de intimidade?

*Ramiro Gonçalez é Mestre em Ciências da comunicação FIA USP Engenheiro Produção – POLI. Responsável Inteligência de Mercado – FIA USP. Fundador do Grupo de Engenheiros de Produção da Poli. Membro Conselho editorial ABA – ABEP. Autor do livro “Que Crise é Essa?”. Também edita o blog ‘Que Mídia É Essa?’.

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Google Public Data Explorer e o Jornalismo de Dados

Agora está mais fácil exercitar o jornalismo de dados. O Google lançou o Public Data Explorer. Como a própria página diz “Você não tem que ser um perito de dados para navegar entre diferentes pontos de vista, fazer suas próprias comparações e compartilhar suas descobertas”.

Estudantes, jornalistas, políticos, enfim, todos podem brincar com a ferramenta para criar visualizações de dados públicos e incorporá-los em seus próprios blogs.

O site mostra exemplos interativos de como se pode comparar países em várias esferas: população, expectativa de vida, fertilidade, natalidade, desemprego, etc.
Por estar ainda bem no começo, precisa ajustes em alguns itens como exportação de dados, falta de números e informações em algumas categorias.

O Jornalismo de Dados está passando de coadjuvante a co-protagonizar a notícia, ao lado do texto. Todos os 90 mil textos vazados pelo Wikileaks sobre a Guerra do Afeganistão, por exemplo, só foram bem explorados e formatados graças à expertise que jornais, como o Guardian, têm de fazer o leitor ler dados e, o mais importante, deixá-los inteligíveis.

Ou seja, jornalistas, online ou não, precisam olhar com mais interesse para essa plataforma cada vez mais profissional do jornalismo.
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Facebook lança a página “Facebook + Media”

Facebook lançou, há pouco tempo, o Facebook + Media,  uma página destinada a jornalistas, programadores e outros parceiros dos meios de comunicação.  Está escrito na descrição do site: “é para ajudar o noticiário, televisão, vídeo, esportes, música e parceiros a usar o Facebook. Para que aprendam sobre melhores práticas e ferramentas, a fim de aumentar o engajamento e aprofundar a compreensão do usuário. “

A página oferece informações de como, por exemplo, os usuários podem interagir com o conteúdo das notícias comuns no Facebook. O Nieman Journalism Lab diz que pode ser como “a ‘irmã rede social’ do Google Analytics“.

O Facebook + Media pode evitar uma armadilha que o Google, sem querer, armou para si:  Mesmo o organizando e dando destaque a notícias, o Google não consegue originalidade. Tudo vira uma enorme bola redundante, pois redes sociais e blogs reproduzem e multiplicam o conteúdo publicado pelos meios de comunicações on e off line.
A nova página do Facebook é mais eficaz. Coloca o receptor e usuário em primeiro lugar e tenta explicar como ser parceiro dele. É onde, definitivamente, a notícia, ou qualquer outro conteúdo é visto como parte integrante das mídias sociais. Veremos que caminho o Facebook + Media tomará e as discussões que implicará a ‘absorção’ mais contundente das notícias na web 2.0.
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Apenas sete pessoas têm as chaves da internet

As 'chaves' da Internet

Pode parecer ficção científica, mas um seleto grupo de sete pessoas no mundo possuem as chaves para ‘salvar’ a Web depois de algum terrível desastre.

As ‘chaves’ nada mais são que smartcards que contêm chips com códigos de segurança. Precisaria de pelo menos cinco dos sete donos dos cartões para, numa base americana, reiniciar o sistema caso uma catástrofe aconteça.

Como os ‘Guardiões da Internet’ foram escolhidos ainda não se sabe. Eles são da Grã-Bretanha, EUA, Burkina Faso, Trinidad e Tobago, Canadá, China e República Tcheca.

Apertar o ‘Reset’ da World Wide Web pode não ser tão impossível assim. 2012 está aí mesmo. Vamos acompanhar.

Com informações da ABC.com

8 Soluções: Impressos x Online


Quando comecei a ler o texto do site Marketing Pilgrim achei que seria mais um “odiador de jornal que usa argumento de que o impresso não sobreviverá, para fazer uma catarse de toda sua frustração”, o que vejo muito por aí. Mas mostra de forma pragmática que a internet pode ‘desafogar’ os jornais de apurações torpes e superficiais para dar lugar a reportagens profundas que possam fazer a diferença. Por isso resolvi traduzir para mostrá-los.

Quem ainda não tem opinião formada sobre o debate Impressos x Online pode ser que tenha alguma ideia depois de ler o texto a seguir:

Oito soluções para o Jornalismo Impresso conviver com a mídia online:

1. Deve-se publicar hard news também na internet -> A Internet é um meio em tempo real e o impresso não é  capaz de competir com isso. O leitor tem que perceber que o jornal impresso lhe oferece apenas os fatos sem nenhuma opinião. Deixem o leitor decidir o que fazer com o que recolheram para ele. Parem de dizê-lo o que pensar.

2. Pode-se dizer o que pensa, mas não obrigar ninguém a pensar igual -> Apresentar o outro lado da notícia deve fazer parte do formato de um jornal, em vez de ocasionalmente trazer alguém do outro lado como um bode espiatório, um cordeiro que será sacrificado para o deus ideológico do veículo.

3. Ser, de fato, equilibrado -> Os impressos têm de parar de tomar partido, ‘pelo amor de Deus’.  Washington Post x Washington Times, direita x esquerda é apenas perda de tempo. Uma porcaria. Gostaria de ver uma conversa equilibrada entre jornais. Mas precisa de coragem para isto.

4. O veículo deve saber quem é seu público real -> O impresso é mais para o pensador, para quem prefere de digerir a notícia. O online é para quem lê e rejeita, consome, ”joga na superfície’. A batida é rápida. Deixem a internet para os real-timers e o impresso para os pensadores.

5. Jornais devem fazer a diferença -> O jornal tem que ir para fora descobrir o que é bom e ruim, o bonito e o feio do mundo, mas a longo prazo. É característica de uma apuração investigativa: Cavar fundo, criar a mudança e o impacto. Seria fantástico! Teria menos pessoal nas redações, pois não se gastaria tempo desnecessário nas minúcias de cada matéria insignificante. Isto é para o ambiente online, beat rápido. O impresso deve ser um verdadeiro agente de mudança.

6. O impresso deve apoiar blogueiros e twitteiros -> Em vez de enxergar a característica do ‘em tempo real’ do online como ameaça e abaixo dos seus padrões, o jornal deve filtrar o que serve ou não, prestar este serviço ao seu leitor: algo como ‘o jornal confia neste ou naquele blog/twitter por tais razões…’. Isto seria legal.

7. Fazer um índice do conteúdo -> Esta é fácil.

8. Parar com joguinhos políticos -> Quando o jornal escolhe um lado perde credibilidade. Isto não é informar.

Realmente gostaria de saber sua opinião sobre isso.

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