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Muro de Berlim: O empurrão que faltava

Turista visita o que restou do Muro (Foto: AP)
Foi em 09 de novembro de 1989, 28 anos após sua construção, que o último dos maiores símbolos do legado pós-Guerra foi destruído. Prefiro o verbo na passiva porque “a queda do Muro” ou “o Muro caiu” são expressões quase inocentes. O Muro não caiu sozinho. Não sofreu uma queda por si só:
Depois de protestos de reivindicação para que os alemães pudessem viajar para o lado Oeste do país, o governo decidiu abdicar completamente das restrições que impunha a esse direito. Ao receber a notícia uma multidão se encaminhou para o local onde permanecia o Muro. Sem instruções prévias, militares e autoridades de controle de passaporte não souberam como agir.
Foi assim que a população foi impulsionada a derrubar uma construção que, em esfera local, não era só um símbolo da Guerra Fria, da divisão da bipolaridade econômica do mundo: era também o que tolhia e atrapalhava sua vida, impedia de ver familiares queridos e lhe fazia ter um cotidiano estranho nos moldes da sociedade moderna.
*Para saber mais sobre os 20 anos da derrubada do Muro de Berlim clique aqui
Assista a imagens da multidão provocando a queda do Muro de Berlim:
Esquerda Pós-Muro: Novas Roupagens

Em escala global a derrubada do Muro de Berlim significou, de saída, o fim do Comunismo como regime alternativo ao Neoliberalismo/Capitalismo, a partir de 1989. Alguns Sociólogos e Cientistas Políticos acreditam que houve um desmoronamento ideológico antes do físico. Esquerdistas não tiveram auto-crítica para acompanhar a tendência global pré caída do Muro.
Assim, os Partidos Comunistas mundo a fora tiveram de se adaptar, às pressas, de alguma forma à nova realidade. O do Brasil, por exemplo, originou o Partido Popular Socialista (PPS) – de cunho social-democrata central, quase de direita (eu diria totalmente).
O maior partido comunista da Europa, o italiano (PCI), por exemplo, mudou não só a sigla, como também os conceitos quando tentaram dialogar mais com o socialismo. Em 1991 houve uma dissolução e se transformou no Democratici di Sinistra (DS) – Democratas de Esquerda; no Partido della Rifondazione Comunista (PRC) – Partido da Refundação Comunista; e no Partito dei Comunisti Italiani (PdCI) – Partido dos Comunistas Italianos.
O Comunismo Português continua ativo, mas com números inexpressivos nas eleições. Após a queda do muro, o Partido passou por uma crise ideológica, como todo o bloco Socialista do Leste Europeu. Porém, decidiu continuar com as bases leninistas.
Partidos de Esquerda da América Latina, em geral, confudem bases marxistas, trotskistas e leninistas. Um regime político estuda a realidade de um país para trazer soluções aliando base teórica com as necessidades. Porém, atualmente há um anacronismo no que se diz respeito a essa lucidez. Ou é excesso de romantismo, talvez. Hoje, o Comunismo é apenas Teoria e há muito deixou de ser prática.
E qual será a tendência? O que acontecerá a esses Partidos? Terão um futuro mais moderado sobre outras bases ideológicas, quem sabe…
*Saiba mais sobre Partidos Comunistas clicando aqui
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UPDATE: A Revista Bula publicou um texto interessante sobre a realidade comunista de Cuba: “Jornalistas raramente entendem o regime totalitário de Cuba“
Guia dos Arquivos americanos sobre o Brasil

Fiquei sabendo há alguns dias sobre este achado que são as ‘Coleções documentais sobre o Brasil nos EUA’. É um material, de 2002, preparado pela embaixada brasileira em Washington.
Deixa-se claro na ‘Apresentação’ do documento que já foram confeccionados outros Guias, mas esse parece ser o mais completo e rico arquivo de informações da História do Brasil na era moderna e contemporânea.
Elio Gaspari participou do princípio do projeto incentivando e dando idéias. Se tem dedo dele é melhor fazermos caso, não é?
Parte do conteúdo:
- Informações e Documentos referentes ao Brasil simplesmente desde o presidente Herbert Hoover até Bill Clinton;
- Microfilmes do Brasil disponíveis nos EUA;
- Documentos de Bibliotecas pelo país afora (EUA).
Melhor que eu ficar contando é favoritar e adicionar ao banco de dados. Todo jornalista, historiador, estudante que se interesse por História do Brasil merece essa mina de ouro. Barão do Rio Branco não deixaria passar.

