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Brasil: relevante na imprensa internacional?

Por Ramiro Gonçalez*

 

Fluxo Global de Capital. Clique para ampliar. (Arte: Financial Times)

Estamos acostumados à irrelevância do Brasil no noticiário internacional. As referências costumam ser sobre violência, distribuição de renda ou sobre as commodities brasileiras.

Havia também menções esparsas sobre assuntos como inflação, crise bancária e política. Eventualmente havia alguma menção sobre futebol.

Surpresa, entretanto, numa segunda-feira de janeiro aparecer o Brasil na primeira página da edição impressa do Financial Times. Mais do que isto: o assunto é o mais relevante do jornal inteiro.

Trata-se de uma matéria sobre a possibilidade da “guerra cambial” acabar se  tornando guerra comercial. Nenhuma novidade para quem acompanha economia e negócios.

O inusitado é a manchete trazer um significado especial: O Brasil “ALERTAR” o mundo que a manipulação da taxa cambial pode se tornar uma guerra comercial. (“Exchange-rate manipulation will spark global trade war, BRAZIL warns” F.T. Monday, Jan 10 2011)

Guerra, câmbio, comércio? Brasil alertando o mundo?

O assunto é naturalmente relevante, pois o alto desemprego nas economias centrais (ditas desenvolvidas) sabidamente iria provocar uma guerra comercial.

Ingenuidade achar que os governos assistiriam impávidos a um nível de desemprego de 10% nos EUA e de 20% em países europeus (tendo a Espanha na liderança).

Mas por qual motivo seria o Brasil a advertir isso?

A impressão que fica é que o Brasil realmente passou a ser um ator global
A matéria tem principal destaque na página frontal e depois uma página inteira (pág. 6) sobre a guerra comercial e cambial. A foto (em destaque)  que ilustra a matéria da página interna (pág. 6) traz notas e moedas de REAL.
Na mesma pagina interna ha uma matéria secundária sobre o Ministro Mantega e a expressão que ele inventou (?):  guerra cambial.
O texto: “Does this signal the endof what Mr. Mantega famously termed the global currency war?”

O Brasil já havia sido tema de reportagem de capa da THE ECONOMIST com aquela foto (que se tornará?) antológica do ‘Cristo Decolando’.  Várias outras edições do FT já trouxeram matérias especiais sobre o Brasil. Mas isso ocorre com outras economias como China, Índia, África do Sul e, eventualmente, Rússia.

O que surpreende é o TOM da matéria, mostrando uma possível advertência do Brasil ao Mundo.

Nada mais relevante atualmente no mundo que uma guerra comercial. Só participam dessas “guerras” países com “exércitos” relevantes. Podemos entender exércitos como volume de comércio exterior.  Não é o caso do Brasil. Representamos apenas 1,6% do comércio internacional e basicamente fornecemos matérias-primas e insumos da cadeia alimenticia ao mundo. Em contrapartida somos importante destino de produtos manufaturados. Mas isso não parece suficiente para um país “alertar o mundo” sobre a possibilidade de uma guerra cambial ou comercial.

Os analistas econômicos (e os jornalistas) estão buscando novas referências, uma vez que as velhas estão confusas. Os editores buscam novos atores para explicar a crise.

A Europa quebrada (com exceção da Alemanha), o Japão Congelado há duas décadas e os EUA na pior crise dos últimos 80 anos abriram espaço para novos protagonistas. A China obviamente seria este protagonista. E em parte é. Ocorre que um misto de falta de credibilidade com baixo nível institucional (afinal, não é uma democracia) destrói parte do espaço que a China poderia ocupar na mídia. Ausência de democracia não é condizente com um país com pretensões globais.

Foi o que abriu espaço para o Brasil que, aos poucos, vai se tornando relevante.
Na mesma edição (no caderno “companies&markets”, pág 23)  é possível achar matéria sobre a privatização da INFRAERO com destaque para o aeroporto de Brasília (com acento). A manchete: “Bras’ilia set to shake up airsports operator INFRAERO ahead of float”).

E ilusão acreditar que esse destaque mostra que entramos no clube dos países centrais no noticiário: familiaridade não significa favorabilidade. Em conversas com professores da Universidade de Londres os temas sobre o Brasil sempre passam (depois de um início positivo) para perguntas sobre violência, infraestrutura e corrupção.

O que realmente é inusitado é a significativa presença de noticias sobre o Brasil na mídia internacional em assuntos de maior relevância.

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*Ramiro Gonçalez é Mestre em Ciências da comunicação FIA USP Engenheiro Produção – POLI. Responsável Inteligência de Mercado – FIA USP. Fundador do Grupo de Engenheiros de Produção da Poli. Membro Conselho editorial ABA – ABEP. Autor do livro “Que Crise é Essa?”. Também edita o blog ‘Que Mídia É Essa?’.

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Transmídia: A palavra inevitável

Um tema. Múltiplas plataformas e diferentes pontos de vista. Esta é a premissa central da cultura de convergência pela qual passamos. Multimeios, maxmidia… Não. A palavra é: Transmídia. É a que mais define a maneira como consumimos hoje informação, música, filmes e tudo mais. Várias plataformas que conversam, intereragem entre si. Uma transcomunicação nunca antes vista. Inevitável não procurar/inventar uma palavra para conceituar em livros e palestrar sobre.

Henry Jenkins, especialista em conversão de mídias e Professor do MIT (Massachussets Institute of Tecnology), pensou assim. Ele encabeça o lado pensante da Transmídia; organiza e analisa o pensamento conjunto da mídia coletiva. Para ele, os HQs, que estão mais atuais que nunca, são um belo ‘exemplo Transmídia’. Afirmou em entrevista à Globo News:


Principalmente as histórias em quadrinhos experimentaram vários princípios desse conceito: Os HQs da Marvel não trazem apenas a trama do Homem Aranha, pois a história dele se estende a outras publicações. Ele se liga ao Homem de Ferro ou ao Rapina. Eles exploram a ideia de um mundo, o universo da Marvel.

É um jeito instigante de contar e consumir narrativas: Os personagens se encontram. Um visita a história do outro e os fatos são narrados a partir do ponto de vista de cada um deles. Está aí a espinha dorsal da nova ordem da comunicação.

Um tema central distribuído em diversas plataformas se apresenta de diversas maneiras ao receptor. O melhor é que cada um de nós não é só receptor, mas também emissor e gerador de conteúdo. Os grandes meios de comunicação não monopolizam a notícia e nem a distribuição dela. Então, que futuro a TV, por exemplo, pode esperar, Mr. Jenkins?


Podemos pensar na TV como um aparelho de entrega, a ‘caixa’ que possuímos e ligamos. Mas o conteúdo dela está em todo o lugar hoje em dia. O conteúdo televisivo nunca foi tão popular. O gênero, a forma, a narração das histórias estão por todo lado na internet. Não haverá novela em celular, mas o celular pode contar uma parte da história. Pode-se ter vídeos de os personagens contando histórias que não vão ao ar; como um material extra.

Somos donos da informação, somos donos do conteúdo. Hoje mais que nunca. Exercitamos esse poder todos os dias.

O professor ainda afirma que o Brasil será um grande polo de convergência principalmente pelo Mundial 2014 e Olimpíadas. Mas eu gostaria mesmo é de saber quando o Brasil passará de consumidor a desenvolvedor de plataformas de integração de mídias. Exportar tecnologia é importante para se transformar em um verdadeiro foco.

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Guia dos Arquivos americanos sobre o Brasil

BRAZIL

Fiquei sabendo há alguns dias sobre este achado que são as ‘Coleções documentais sobre o Brasil nos EUA’. É um material, de 2002, preparado pela embaixada brasileira em Washington.

Deixa-se claro na ‘Apresentação’ do documento que já foram confeccionados outros Guias, mas esse parece ser o mais completo e rico arquivo de informações da História do Brasil na era moderna e contemporânea.

Elio Gaspari participou do princípio do projeto incentivando e dando idéias. Se tem dedo dele é melhor fazermos caso, não é? :)

Parte do conteúdo:

- Informações e Documentos referentes ao Brasil simplesmente desde o presidente Herbert Hoover até Bill Clinton;

-  Microfilmes do Brasil disponíveis nos EUA;

- Documentos de Bibliotecas pelo país afora (EUA).

Melhor que eu ficar contando é favoritar e adicionar ao banco de dados. Todo jornalista, historiador, estudante que se interesse por História do Brasil merece essa mina de ouro. Barão do Rio Branco não deixaria passar. ;)

Madonna: Caridosa e “Marketing-Star”

 

 Madonna está aqui para pedir ajuda a empresários brasileiros para projetos assistencialistas no Malauí, país de origem de dois de seus quatro filhos. No último dia 05 ela foi a grande vencedora da premiação ‘Billboard Touring Award 2009′ na categoria maior tour do ano – Top Tour -, e turnê que mais arrecadou - Top Draw.

No livro ‘A vida com minha irmã Madonna’, de amargas memórias de Chris Ciccone, está descrita a obsessão da diva por seu corpo, imagem, beleza, frutos de sua espartana disciplina desde a hora que acorda até dormir. E se algo der errado, ou se tiver que sair do ‘roteiro do dia’, fica frustrada.

Foi dessa forma que ela conseguiu chegar aonde está: Tours homéricas, hits épicos, grande furtuna, livros infantis, dirigiu um filme e agora está totalmente engajada em projeto social a la Oprah Winfrey. Talvez não soubesse fazer de outra  forma. O fato é que Madonna é um fenômeno, ainda que burocrata. É uma mulher de quebrar recordes e ela procura e gosta disso. Claro que essas características englobam latentes competições com suas ‘Pop Roommates’ – Spears, GaGa… – que vão desde o corpo mais sarado até grandes repertórios. “O show [de Lady GaGa] é confuso, têm buracos em suas roupas, mas, sim, vejo um pouco de mim nela”, declarou a respeito da caçula do pop.

O show [de Lady GaGa] é confuso, têm buracos em suas roupas, mas, sim, vejo um pouco de mim nela

 

“Je suis l’art”

Nos bastidores da penúltima turnê, Confessions Tour, Madonna conversava com um de seus bailarinos, francês, que afirmava não ser bom para fazer arte. Preferia apreciar. E ela, em tom maroto, responde: ‘Je suis l’art’ (SOU a arte).  E mesmo um fã mais desatento pode identificar momentos ‘escolas artísticas’ em seu trabalho. Na última tour, Sticky&Sweet, utilizou vídeos com ilustrações animadas de Keith Hering, artista de arte pop nova-iorquina dos anos 80, no momento da canção ‘Into The Groove’:

 

 

O clipe de ‘Hollywood’, que faz crítica à elite com idéia fixa em beleza e frivolidades, parece ter sido inspirado na obra do fotógrafo francês Guy Bourdin. A informação tornou-se pública quando o neto do artista acusou a cantora formalmente de plágio. Chegaram a um acordo financeiro confidencial. Problema resolvido.

 

 

A música ‘Erótica’ faz parte do, quiçá, maior projeto marketeiro de Madonna. O disco, com título homônimo, de onde foi extraído o single, chegou às lojas junto com o livro ‘Sex’ e com o filme ‘Corpo em Evidência’. Foi seu primeiro álbum conceitual, com todas as músicas interligadas como se contassem uma história.  As imagens da sessão de fotos para o ‘Sex Book’ foram transformadas no clipe ‘Erótica’. A personagem ‘Dita’, que Madonna encarna no vídeo, foi livremente inspirada na atriz alemã Dita Parlo.

 

 

Para ser sincera o álbum ‘Erótica’ é um dos meus preferidos. Saudades do tempo que Madonna não era mãe, nem Esther (ela adotou esse nome no meio ‘cabalístico’) e sim devassa, como diz minha avó! :D

 
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Madonna no ensaio para o 'Sex Book'

 

*Com informações do site Madonna Online e do meu ‘lastro madônnico’. ;)

 

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