Arquivos do Blog
Wikileaks: Além do vazamento de dados militares
O site que publica documentos confidenciais fornecidos por denunciantes e fontes anônimas, o Wikileaks, atormentou o governo norte-americano ao divulgar, em 25/07/2010, documentos secretos sobre a Guerra do Afeganistão. Os 75 mil arquivos revelam detalhes prejudiciais à imagem dos Estados Unidos: assassinatos de civis foram divulgados pela primeira vez, entre outros temas.
[Para ler a análise de como o conteúdo foi repassado aos leitores em cada um dos três veículos clique aqui]
Em tempos de web 2.0 é mais frequente o interesse em blogs e sites de mostrar que a informação flui por outros meios. E que outros canais, que não sejam mídias tradicionais, sabem muito bem o que fazer, inclusive, com “dados perigosos”. Mas, aprecio o fato dos jornais terem recebido o material para repassar de forma inteligível ao mundo. É mais um exemplo de que as mídias on e off line podem andar juntas.
Esta não é a primeira vez que dados quentes do Wikileaks vêm à tona: Em abril, a página publicou um vídeo de 2007, que mostrava ataque um aéreo dos Estados Unidos a Bagdá. Isto causou a morte de 12 pessoas. A candidata à vice-presidência dos EUA Sarah Palin teve alguns de seus e-mails particulares propagados.
- WikiLeaks e o futuro da mídia, no blog do Professor da USP, @RamiroGonçalez.
‘Desvendando o Novo Talibã’
O articulista político da New Yorker, Steve Coll, postou em seu blog que um pesquisador da London School of Economics, Antonio Giustozzi, é editor de uma nova compilação de textos de vários ensaístas sobre o Talibã. Intitulado “Decoding the New Taleban” (Desvendando o Novo Talibã), trata-se de uma análise muito importante que racionaliza as diferentes estruturas e os líderes do movimento, o que pode ajudar a Comunidade Internacional a entender as matrizes e quem sabe, assim, evitar uma segunda revolução talibã.
Coll destaca dois ensaios que ilustram bem o valor do conteúdo da publicação. Sobre o primeiro, “Leitura do Taliban,” comenta:
Joanna Nathan, do International Crisis Group, descreve alguns de seus trabalhos sobre a propaganda e as estratégias de comunicação talibã. Ela analisa temas repetitivos em revistas talibãs e DVDs – a ampla queixa dos Pachtuns sobre os assassinatos de vingança étnica e notáveis figuras corruptas como o comandante uzbeque, General Dostum, é particulamente frio.
Agora escreve um pequeno resumo sobre o texto “The Haqqani Network as an Autonomous Entity”:
O pesquisador alemão Thomas Ruttig fornece uma análise extremamente detalhada e útil das grupos talibãs fundados por Siraj Haqqani, cujos seguidores, ao que parece, foram responsáveis pelo sequestro do repórter do NYT, David Rohde. Haqqani é, indiscutivelmente, a força mais potente da insurgência talibã. Há muita informação nova sobre casamentos e personalidades internas dentro da rede Haqqani. A investigação de Ruttig é, infalivelmente, cuidadosa e precisa.
É um bom gancho para nos aprofundarmos nas informações sobre esse movimento que não ‘quebrou’ em 2001, como se pensa. Coll informa que “Decoding the New Taleban” mostra como figuras nacionais e provincianas da década de 90, era do governo do Talibã, permanecem intactos.


