Arquivos Mensais:abril 2011
Teoria da Conspiração, Redes Sociais e o futuro de estruturas offline

Por Ramiro Gonçalez*
Passou despercebida a notícia do londrino THE GUARDIAN (17/março/2011) – “Revealed: US spy operation that manipulates social media” - sobre o serviço de inteligência americano e as redes sociais FACEBOOK e TWITTER . Vale a leitura.
A matéria relata que o exército americano estuda secretamente formas de manipular as redes sociais.
As implicações desta informação são muitas. As redes sociais são territórios livres? É possível haver manipulação? Os usuários ingenuamente aceitariam esse controle indireto?
Pode parecer mais uma paranóia da teoria das conspirações. Tantas outras já foram levantadas no passado. A mais emblemática era o debate sobre efeito subliminar nas propagandas de televisão – isto foi debatido à exaustão nas décadas de 70 e 80 nas escolas de comunicação social. Agora o “efeito subliminar” é outro: como controlar a opinião pública via redes sociais.
É importante entender como é feito o processo. Apesar da produção de conteúdo ser descentralizada, a gestão operacional das redes sociais está nos EUA. Uma empresa de engenharia de software poderia realizar inserções nas redes sociais com propaganda pró-americana. Parece uma tentativa primária demais, mas não pode ser subavaliada.
Segundo o Guardian, o serviço a ser fornecido por esta empresa americana é descrito como um gerenciamento online de perfis (falsos, obviamente) com até 10 identidades. Não está claro como essas identidades falsas iriam conseguir seguidores que confiem nessa fonte.
Há outro risco, a figura do discurso coletivo. Uma empresa com conhecimento de usos das redes sociais poderia gerenciar discussões que levem a um consenso sobre opiniões e até sobre fatos políticos. Quem trabalha com o assunto na prática, sabe que essa manipulação não tem uma fórmula trivial. É muito difícil manipular as opiniões nas redes. Motivo pelo qual várias corporações líderes no mercado de consumo têm feito incursões tímidas nesses novos territórios.
Manipulação de opiniões nas redes sociais
Obviamente não é tão simples como parece. Quem freqüenta a rede verifica que há pouco consenso e muita anarquia. Seria ingenuidade acreditar que é possível criar consenso, sem a presença do contraditório em processos em rede.
Quem mantém um Blog, por exemplo, percebe que os próprios comentaristas se digladiam ao redor de temas simples (onde aparentemente havia consenso).
Por outro lado também não se pode ignorar um fato: o sistema de redes sociais tem sua base operacional nos EUA. Em caso de um evento extremo, qual a garantia que a manipulação mais simples não será realizada: a retirada do ar das redes sociais.
A simples retirada do poder de acesso aos milhões de usuários já é um tipo de manipulação. Mais um motivo para haver um equilíbrio entre as mídias on e offline.
Essas incertezas em relação à manipulação das redes sociais mostram o quanto é importante manter as estruturas offline profissionalizadas.
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*Ramiro Gonçalez é Professor de Inteligência de Mercado e Mídias da FIA e Mestre em Ciências da Comunicação pela USP. Autor do livro: “Que Crise é Essa?” . Também edita o blog ‘Que Mídia É Essa?’.
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Artigos do mesmo autor:
- A briga pelo futebol e a falta de criatividade nas mídias
- Mídias interruptivas x Mídias que engajam
- A guerra silenciosa das mídias: a próxima batalha
- Brasil: relevante na imprensa internacional?
- O império do Facebook
- Jornalistas blogueiros x Leitores: relacionamento em debate
- Os Nativos da Internet e a Nova Mídia.
Jornalismo na era dos dados

O jornalista Geoff McGhee – ex-New York Times e ex-ABCnews.com – dedicou-se, nos últimos anos, a estudar visualização de dados pela Universidade de Stanford.
O resultado foi a compilação interessantíssima “Journalism in Age of Data”, onde McGhee traça um caminho para o jornalista não se perder e, o mais importante, se aperfeiçoar na visualização de dados para seus leitores.
>> Alguns pontos-chave do material:
• A explosão dos dados provocou a necessidade analisá-los por meio de novas ferramentas;
• Pesquisadores desta área estão ajudando a construir essas novas ferramentas para os ‘não-especialistas’;
• Jornalistas estão encontrando maneiras de adaptar-se ao desafio de escrever matérias com dados complexos;
• Em um mundo conectado, os dados são cada vez mais um meio de expressão pessoal;
• Os dados chegam cada vez mais em tempo real, desafiando a nossa capacidade de absorver, analisar e deixá-los inteligíveis;
• Tecnologias para a criação de visualizações online ainda não são totalmente eficientes, estão em transição, mas existem novas ferramentas que facilitam o processo;
• A análise dos dados é tão importante quanto a visualização. Existem ferramentas que ajudam muito neste ponto. _______________________________________ Continue lendo:


