Arquivos Mensais:julho 2010

Facebook lança a página “Facebook + Media”

Facebook lançou, há pouco tempo, o Facebook + Media,  uma página destinada a jornalistas, programadores e outros parceiros dos meios de comunicação.  Está escrito na descrição do site: “é para ajudar o noticiário, televisão, vídeo, esportes, música e parceiros a usar o Facebook. Para que aprendam sobre melhores práticas e ferramentas, a fim de aumentar o engajamento e aprofundar a compreensão do usuário. “

A página oferece informações de como, por exemplo, os usuários podem interagir com o conteúdo das notícias comuns no Facebook. O Nieman Journalism Lab diz que pode ser como “a ‘irmã rede social’ do Google Analytics“.

O Facebook + Media pode evitar uma armadilha que o Google, sem querer, armou para si:  Mesmo o organizando e dando destaque a notícias, o Google não consegue originalidade. Tudo vira uma enorme bola redundante, pois redes sociais e blogs reproduzem e multiplicam o conteúdo publicado pelos meios de comunicações on e off line.
A nova página do Facebook é mais eficaz. Coloca o receptor e usuário em primeiro lugar e tenta explicar como ser parceiro dele. É onde, definitivamente, a notícia, ou qualquer outro conteúdo é visto como parte integrante das mídias sociais. Veremos que caminho o Facebook + Media tomará e as discussões que implicará a ‘absorção’ mais contundente das notícias na web 2.0.
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Seis matérias clássicas adaptadas para a Era Digital

No post anterior recomendei a leitura do perfil que Gay Talese fez de Frank Sinatra por ser um ‘divisor de águas’ do Jornalismo. Mas o blog ‘Plog’ o colocou entre as seis clássicas matérias de revistas que mereciam uma adaptação para a Era Digital. Tendo a lista do KK.org como referência, o ‘Plog’ explicou:

No início desta semana, circulou no Twitter uma lista de algumas das melhores matérias de revista de todos os tempos. É uma homenagem a alguns dos pioneiros do jornalismo literário, incluindo Gay Talese, Hunter S. Thompson e Tom Wolfe.

Evidentemente, esses tipos de textos – milhares de palavras meticulosamente colocadas após dezenas de horas de pesquisas e entrevistas, estão distantes dos dias de hoje (…). Isto nos fez pensar: E como seria se essas matérias fossem publicadas hoje? Escolhemos seis favoritas e as reformulamos para o público atual.

Entre os textos que o Plog elegeu estão: (o texto segue no box, porque não são minhas ideias)

“Frank Sinatra Está Resfriado”, de Gay Talese. Esquire, 1966

O que era: Considerada a melhor matéria de revista de todos os tempos, o texto de Talese ajudou a fazer da Esquire o local de trabalho ideal de todo sonhador estudante de jornalismo, aspirante a literato, formado entre 1966 e 2002. (Agora é Slate, eu acho. Ou talvez Barnes and Noble)

Atualmente seria algo como: “RT @GayTaleseEsq RT @OldBlueEyes: Eu estou sentindo tipo um “sniffly”. Acho que pode vir com alguma coisa.”

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“Superman vem ao Supermercado”, de Norman Mailer. Esquire, 1960

O que era: Parte a psico-análise de um país, parte análise política, a matéria de Mailer sobre a Convenção Nacional Democrata de 1960, em Los Angeles, é o mais famoso exemplo de jornalismo político da Esquire.

Atualmente seria algo como: Uma lista destinada a ser dissecada por meio de comentários no Digg: “L.A. continua um tédio”, e 9 coisas que aprendi na Convenção Democrata.”

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“O Kentucky Derby é Decadente e Depravado”, de Hunter Thompson.  Scanlan, 1970

O que era: Um antigo médico, transbordando de amor e uísque.

Atualmente seria algo como:  Apresentação de slides: “Fotos do Kentucky Derby (NSFW)”.

Para ler a lista completa clique aqui.

Um Texto Especial de Gay Talese

O Blog KK.org fez uma lista de matérias antigas que valem a pena ser lidas. Então, mudaremos a palavra ‘antigas’ e substituiremos por ‘clássicas’. Clássicos do Jornalismo que merecem leitura e deleite.

Um dos textos, de 1966, pertence à Esquire. É um primoroso perfil de Frank Sinatra de autoria de Gay Talese. O site da revista explica o contexto, em pequeno abre, antes de emergirmos nas palavras do mestre Talese; e assinala: depois desse perfil foi criado o conceito do Novo Jornalismo. Ou seja, além de ser um clássico, estabeleceu um novo paradigma:


“No inverno de 1965, o escritor Gay Talese chegou a Los Angeles com a missão de escrever o perfil de Frank Sinatra. O lendário cantor se aproximava dos 50 anos, mas estava com uma forte gripe, por isto não estava disposto a dar entrevistas. Então, Talese permaneceu na cidade, na esperança de Sinatra se recuperar e repensar. Enquanto isso, ele começou a conversar com muitas pessoas em torno do cantor – amigos, companheiros, família, seus inúmeros parasitas – fazendo suas observações como podia. O resultado, “Frank Sinatra Está Resfriado”, publicado em Abril de 1966, se tornou uma das mais célebres histórias já publicadas, um exemplo pioneiro de que veio a ser chamado de Novo Jornalismo – uma obra de fato rigorosamente fiel, com histórias vivas que haviam sido reservadas para a ficção. O texto evoca um retrato profundamente rico de uma das figuras mais vigiadas da época e conta uma história mais ampla sobre entretenimento, celebridades e dos Estados Unidos.”

Quem já leu pode reler. Quem não leu… não perca tempo.

Clique aqui para ler “Frank Sinatra Está Resfriado”, por Gay Talese.

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*Fiquei sabendo da lista do KK.org no (sempre recomendado) blog Desculpe a Poeira, de Ricardo Lombardi.

Apenas sete pessoas têm as chaves da internet

As 'chaves' da Internet

Pode parecer ficção científica, mas um seleto grupo de sete pessoas no mundo possuem as chaves para ‘salvar’ a Web depois de algum terrível desastre.

As ‘chaves’ nada mais são que smartcards que contêm chips com códigos de segurança. Precisaria de pelo menos cinco dos sete donos dos cartões para, numa base americana, reiniciar o sistema caso uma catástrofe aconteça.

Como os ‘Guardiões da Internet’ foram escolhidos ainda não se sabe. Eles são da Grã-Bretanha, EUA, Burkina Faso, Trinidad e Tobago, Canadá, China e República Tcheca.

Apertar o ‘Reset’ da World Wide Web pode não ser tão impossível assim. 2012 está aí mesmo. Vamos acompanhar.

Com informações da ABC.com

Políticos atraentes têm maior atenção da mídia

Candidatos mais atraentes, como, por exemplo, Bill Cinton e Obama, recebem mais cobertura midiática, aponta um estudo israelense. O doutor responsável pela análise afirma que “as pessoas geralmente tendem a preferir a companhia de quem é fisicamente atraente e até mesmo valorizá-los como mais dignas. Jornalistas provavelmente se comportam da mesma maneira”.

Político brasileiro, bonito, jovem, ‘atraente’… me faz lembrar o…

Beleza e dignidade política são água e óleo? Ou nem sempre?

Mais informações aqui.

Wikileaks: Além do vazamento de dados militares

O site que publica documentos confidenciais fornecidos por denunciantes e fontes anônimas, o Wikileaks,  atormentou o governo norte-americano ao divulgar,  em  25/07/2010, documentos secretos sobre a Guerra do Afeganistão. Os 75 mil arquivos revelam detalhes prejudiciais à imagem dos Estados Unidos: assassinatos de civis foram divulgados pela primeira vez, entre outros temas.

Três dos maiores jornais do planeta, New York Times, Guadian e Der Spiegel, receberam os dados cerca de um mês antes.

[Para ler a análise de como o conteúdo foi repassado aos leitores em cada um dos três veículos clique aqui]


Em tempos de web 2.0 é mais frequente o interesse em blogs e sites de mostrar que a informação flui por outros meios. E que outros canais, que não sejam mídias tradicionais, sabem muito bem o que fazer, inclusive, com “dados perigosos”. Mas, aprecio o fato dos jornais terem recebido o material para repassar de forma inteligível ao mundo. É mais um exemplo de que as mídias on e off line podem andar juntas.


Esta não é a primeira vez que dados quentes do Wikileaks vêm à tona: Em abril, a página publicou um vídeo de 2007, que mostrava ataque um aéreo dos Estados Unidos a Bagdá. Isto causou a morte de 12 pessoas. A candidata à vice-presidência dos EUA Sarah Palin teve alguns de seus e-mails particulares propagados.


Leia também:

- WikiLeaks e o futuro da mídia, no blog do Professor da USP, @RamiroGonçalez.

As 10 Leis do Jornalismo Multimídia

Interação é primordial

“O mais importante da prática multimídia é melhorar o jornalismo” – palavras de Al Tompkins, líder do Poynter Institute.

Em palestra aos membros do próprio Poynter, Tompkins apresentou ‘As 10 Leis do Multimídia’. Entre os itens há ideias bem interessantes, embora não muito novas, como criar comunidades e ter sempre a preocupação com SEO [Search Engine Optimization - Otimização para Buscas]. E o mais relevante: interatividade é fundamental.
Então, um site que quer oferecer boa experiência multimídia para seus leitores tem que >>
Lei #1 – Ser interativo: A interatividade deixa o usuário no controle. Isto basicamente aumenta a quantidade de tempo gasto no site.

Lei #2 – Ser um buscador amigável: Escreva manchetes com SEO em mente. Evite animações em Flash e imagens no canto superior esquerdo de sua página. Spiders olham primeiro de uma a quatro palavras em um título, por isto você tem que dar atenção especial à maneira de escrevê-lo.

Lei #3 – Gerar e Agregar (conteúdo): Não tenha medo de publicar os bons conteúdos de outras pessoas, além dos já produzidos por você.

Lei #4 – Sempre divulgar as fontes das pesquisas: O público tem que saber de onde vêm os dados que o site publica, para comprovar as informações.

Lei #5 – Valorizar seus ativos digitais: Se o conteúdo que você publica é de muito interesse e completamente exclusivo, pagarão por ele.

Lei #6 – Ser participativo: Dê às pessoas um modo de compartilhar o que sabem.

Lei #7 – Criar comunidades: Forme e promova grupos de interesses, no Facebook, onde as pessoas possam    conhecer outras com interesses em comum.

Lei #8 – Fazer mapeamento: Facilita a integração e comunicação da localização geográfica das informações do site. O projeto “Faces of the Fallen”, do WashingtonPost.com, é um exemplo. Crie um mapa interativo usando o Quikmaps.

Lei #9 – Atualizar-se: Insira feeds de seu interesse no site. Por exemplo, o site NewsHour disponibiliza código para que sites incorporem o frame para atualizações.

Lei #10 – Deixar os trabalhos mais elaborados com lugar permanente: Se você vai ter trabalho em produzir um conteúdo, certifique-se que tem ‘vida de prateleira’.

Vou começar seguindo o conselho da Lei #4: O texto deste post, em inglês, está no blog Advancing The Story.

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Flipboard: Redes Sociais em Revista

Acaba de ser lançado o Flipboard, aplicativo para iPad, que, em um clique, deixa Twitter e Facebook com layout de revista eletrônica. O programa formata links (os postados pelos followings ou contatos)  lhes atribuindo  manchetes e fotos.

Se a moda pega nas Redações, os editores contam com uma ajudinha extra. ;)

O vídeo a seguir explica bem o uso da nova ferramenta:

Transmídia: A palavra inevitável

Um tema. Múltiplas plataformas e diferentes pontos de vista. Esta é a premissa central da cultura de convergência pela qual passamos. Multimeios, maxmidia… Não. A palavra é: Transmídia. É a que mais define a maneira como consumimos hoje informação, música, filmes e tudo mais. Várias plataformas que conversam, intereragem entre si. Uma transcomunicação nunca antes vista. Inevitável não procurar/inventar uma palavra para conceituar em livros e palestrar sobre.

Henry Jenkins, especialista em conversão de mídias e Professor do MIT (Massachussets Institute of Tecnology), pensou assim. Ele encabeça o lado pensante da Transmídia; organiza e analisa o pensamento conjunto da mídia coletiva. Para ele, os HQs, que estão mais atuais que nunca, são um belo ‘exemplo Transmídia’. Afirmou em entrevista à Globo News:


Principalmente as histórias em quadrinhos experimentaram vários princípios desse conceito: Os HQs da Marvel não trazem apenas a trama do Homem Aranha, pois a história dele se estende a outras publicações. Ele se liga ao Homem de Ferro ou ao Rapina. Eles exploram a ideia de um mundo, o universo da Marvel.

É um jeito instigante de contar e consumir narrativas: Os personagens se encontram. Um visita a história do outro e os fatos são narrados a partir do ponto de vista de cada um deles. Está aí a espinha dorsal da nova ordem da comunicação.

Um tema central distribuído em diversas plataformas se apresenta de diversas maneiras ao receptor. O melhor é que cada um de nós não é só receptor, mas também emissor e gerador de conteúdo. Os grandes meios de comunicação não monopolizam a notícia e nem a distribuição dela. Então, que futuro a TV, por exemplo, pode esperar, Mr. Jenkins?


Podemos pensar na TV como um aparelho de entrega, a ‘caixa’ que possuímos e ligamos. Mas o conteúdo dela está em todo o lugar hoje em dia. O conteúdo televisivo nunca foi tão popular. O gênero, a forma, a narração das histórias estão por todo lado na internet. Não haverá novela em celular, mas o celular pode contar uma parte da história. Pode-se ter vídeos de os personagens contando histórias que não vão ao ar; como um material extra.

Somos donos da informação, somos donos do conteúdo. Hoje mais que nunca. Exercitamos esse poder todos os dias.

O professor ainda afirma que o Brasil será um grande polo de convergência principalmente pelo Mundial 2014 e Olimpíadas. Mas eu gostaria mesmo é de saber quando o Brasil passará de consumidor a desenvolvedor de plataformas de integração de mídias. Exportar tecnologia é importante para se transformar em um verdadeiro foco.

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Caso Bruno: Frenesi na Mídia

O ex-Goleiro do Flamengo no momento da prisão

Até postei o link ontem mais cedo no twitter, mas nem todo mundo é assinante. O texto a seguir foi publicado na Folha de S.Paulo, na coluna do Nelson de Sá.

Não deixe de ler e nem de questionar o que os ‘media’ levam até você.  Coluna publicada em 09/07/2010.

ANÁLISE

Frenesi de mídia com o caso altera até a programação

NELSON DE SÁ
COLUNISTA DA FOLHA

Começou na capa das revistas semanais, no fim de semana, com fotos de Bruno e enunciados como “Traição, orgias e horror” ou “Sexo, violência e futebol”.
Nos dias seguintes, o “Brasil Urgente” de José Luiz Datena, na Band, passou a contar com o próprio delegado, ao vivo, como atração constante. Ontem, a participação se estendeu por quase duas horas -em um programa ampliado, que entrou no ar uma hora antes.
O “Jornal Nacional”, anteontem na escalada de manchetes, anunciou e depois entregou “a barbárie descrita em detalhes” -em uma reportagem “exclusiva” que contou com trechos como “quatro rottweilers começaram a comer a mão”.
O “Bom Dia Brasil”, ontem, trouxe “imagens exclusivas feitas com uma microcâmera na Polinter” sem que o goleiro, já preso, soubesse. “Bruno demonstrou preocupação apenas com o futuro profissional dele”, destacou a apresentadora.
Com cobertura quase intermitente, por vezes dividindo a tela com a programação normal, a Globo News chegou a abrir link para Nova York e, em debate, comparou o goleiro com OJ Simpson -que contou com uma cobertura semelhante.
Como no caso de 1994/95, imagens de helicóptero foram usadas à exaustão por Band, Record e Globo, não só no Rio, mas em Minas. Ontem, elas encerraram o “JN”, ao vivo, acompanhando o comboio que levou o acusado ao aeroporto. A Globo News transmitiu a decolagem do Rio e depois a chegada a Belo Horizonte.
Antes, no meio do dia, uma câmera flagrou e manteve em foco uma mulher falando para Bruno, que passava, cercado por policiais, “assassino!”. Espelhou o que a cobertura já havia julgado, sem usar a palavra.

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